sexta-feira, 20 de maio de 2016

Publicações científicas e bases de dados gratuitas de acesso aberto



POR


Andreas Leber
Bibliotecário da Unifesp – Campus Osasco
Formado em Biblioteconomia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Marília, Mestrado em Gestão de Políticas e Organizações Públicas pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), campus Osasco.
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/andreas-leber-96b165154/



Atualizado em abril de 2020.


No Brasil e no mundo existem várias bases de dados de acesso aberto, que podem ser acessadas de qualquer lugar e sem nenhum custo. Vão desde Bibliotecas Digitais e Arquivos, passando por bases de periódicos, teses e dissertações, e-books e coleções especiais. Nessa matéria iremos listar algumas.


BIBLIOTECAS E ARQUIVOS


Biblioteca Nacional Digital




Biblioteca Digital Nacional possui as digitalizações de mais de 2 milhões de itens raros que podem ser acessados, sem custo, na Biblioteca Nacional Digital (BNDigital). Acervo disponibiliza obras raras como o decreto, feito quatro dias depois da chegada da família real no Brasil, marcando o fim do pacto colonial e abrindo nossos portos às nações amigas para livre comércio de produtos.


Biblioteca Digital Luso-Brasileira




As bibliotecas nacionais do Brasil e de Portugal se associaram para o desenvolvimento do portal da
Biblioteca Digital Luso-Brasileira, cujo objetivo primordial é disponibilizar, a partir de um único ponto de acesso, os acervos digitais das duas instituições. Trata-se de um esforço conjunto para dar nova dimensão, relevância e visibilidade aos conteúdos culturais em língua portuguesa na internet.




Além dos acervos digitais das duas instituições e dos repositórios digitais nacionais gerenciados por elas – RNOD por Portugal e Rede Memória Virtual Brasileira –, integram a Biblioteca Digital Luso-Brasileira preciosidades como os manuscritos dos séculos XVI e XVIII, pertencentes ao Arquivo Histórico Ultramarino, levantados pelo projeto Resgate Barão do Rio Branco. Esse acervo trata da vida pública e privada dos habitantes das 18 capitanias, que atualmente correspondem a 22 estados brasileiros, entre outros itens.




Tendo como princípio a convergência de esforços e o compartilhamento de recursos, a Biblioteca Digital Luso-Brasileira – como dispositivo de difusão cultural – se posiciona junto a iniciativas colaborativas plurinacionais como a Biblioteca Digital Mundial (https://www.wdl.org/pt/) e a Europeana (http://www.europeana.eu/).


Além dos registros de arquivos digitais o portal disponibilizará conteúdos textuais criados para contextualizar as coleções digitais.



PORTAL DOMÍNIO PÚBLICO 






Portal Domínio Público lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.


Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.


Desta forma, também pretende contribuir para o desenvolvimento da educação e da cultura, assim como, possa aprimorar a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.



Adicionalmente, o "Portal Domínio Público", ao disponibilizar informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários, ao mesmo tempo em que também pretende induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais - de modo que a "preservação de certos direitos incentive outros usos" -, e haja uma adequação aos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e do uso de conhecimentos.
                                                                                                                                                   

ARQUIVO NACIONAL 









O Arquivo Nacional é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que guarda, preserva, dá acesso e divulga documentos públicos, produzidos, em sua maior parte, pelo Poder Executivo Federal, mas também provenientes dos poderes Legislativo e Judiciário; e documentos privados, de pessoas físicas e jurídicas. Além disso, seu corpo técnico presta orientações a instituições públicas no que diz respeito à gestão e preservação de seus documentos. Os documentos sob custódia do Arquivo Nacional estão abertos a todos os cidadãos que necessitam comprovar seus direitos e aos pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento, que encontram, na Instituição, fontes para a produção de trabalhos monográficos, dissertações, teses, filmes, livros, campanhas publicitárias, séries televisivas, entre outros.


O Arquivo Nacional possui documentos do século XVI ao XXI. Entre eles, encontram-se: a Lei Áurea e as Constituições Brasileiras; documentação sobre a entrada de imigrantes; milhares obras raras; mapas do século XVI ao XIX; fotografias do século XIX e XX, tais como as produzidas pela Família Ferrez e pelo jornal Correio da Manhã; imagens em movimento da Agência Nacional; rótulos e marcas de produtos nacionais e estrangeiros da virada do século XIX; pedidos de patentes industriais das últimas décadas do século XIX e do início do século XX; documentos de entidades extintas, como o Instituto do Açúcar e do Álcool, Instituto Brasileiro do Café, Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, Companhia Brasileira de Infraestrutura Fazendária, Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência, Rede Federal de Armazéns Gerais e Ferroviários; e documentos produzidos pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Informações e Contrainformação (SISNI), que vigorou durante o regime militar no Brasil (1964-1985).


BASES DE DADOS


Oasisbr


A Base oasisbr é um portal brasileiro de publicações científicas em acesso aberto. É um mecanismo de busca multidisciplinar que permite o acesso gratuito à produção científica de autores vinculados a universidades e institutos de pesquisa brasileiros. Por meio do oasisbr é possível também realizar buscas em fontes de informação portuguesas. Ele realiza pesquisas em Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações nacionais e estrangeiras, Repositórios Institucionais, Scielo, Revistas Eletrônicas e o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP). Em abril de 2020 possui mais de 2.500.000 documentos indexados. 


BASE


BASE é um dos maiores motores de busca de acesso aberto do mundo voltados para a pesquisa acadêmica. BASE é operado pela Biblioteca da Universidade de Bielefeld. Com o movimento de acesso aberto crescendo e prosperando, mais servidores e mais repositórios vem sendo agregados ao "Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting" (OAI-PMH) para fornecer seu conteúdo. BASE recolhe, normaliza e indexa os dados, fornecendo mais de 90 milhões de documentos de mais de 4.000 fontes. Você pode acessar os textos completos de cerca de 60% dos documentos indexados. O índice é continuamente melhorado pela integração de outras fontes, bem como OAI fontes locais. O Blog OAI-PMH comunica informações relacionadas com a coleta e as atividades de agregação realizados para BASE. O BASE pode ser acessado normalmente pelos navegadores de qualquer smartphone com IOS, Android e Windows Phone.  

LA REFERENCIA




La Referencia é um agregador de informações que permite pesquisas regionais de publicações científicas, integrando o material de repositórios de 10 países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, México, Peru e Uruguai.

Graças a acordos técnicos e organizacionais, vem integrando progressivamente dados nacionais dos países que estejam em conformidade  com as normas internacionais de interoperabilidade. 
Pesquisadores, professores e estudantes encontrarão os trabalhos científicos de quase uma centena de universidades da América Latina, com pesquisas acadêmicas em doutorados e mestrados com uma ampla variedade de opções de tema.


O software
de referência do motor de busca é baseado no internacional OAI-PMH, que permite a interoperabilidade e facilita a integração de nós nacionais de metadados.



Possui mais de 2.000.000 de artigos e teses, possuindo ainda interface para dispositivos móveis.


DATAPEDIA









A Datapedia foi fundada em 2015 com a missão de unificar, traduzir e disseminar informações de bases públicas e oficiais. Com expertise acumulada em trabalhos envolvendo bases de dados de diversos governos municipais, estaduais e ministérios federais, foi lançado em abril de 2017 o portal www.datapedia.info com dados de 5.570 territórios do país (Brasília, Fernando de Noronha e 5.568 municípios).


A Datapedia tem visualização gratuita para todas as 5570 localidades, aumentando a transparência da gestão pública, e fornece serviço de assinatura para quem deseja construir análises comparativas ou construir seu próprio Dashboard, serviços de relatórios analíticos e oficinas de capacitação para planejamento e gestão a partir de evidências.


BASE DE PERIÓDICOS


SciELO


A Scientific Electronic Library Online - SciELO é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros. A SciELO é o resultado de um projeto de pesquisa da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em parceria com a BIREME - Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde. A partir de 2002, o Projeto conta com o apoio do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.


O Projeto tem por objetivo o desenvolvimento de uma metodologia comum para a preparação, armazenamento, disseminação e avaliação da produção científica em formato eletrônico. Com o avanço das atividades do projeto, novos títulos de periódicos estão sendo incorporados à coleção da biblioteca. Possui atualmente 352 títulos de periódicos, mais de 259.000 documentos, totalizando mais de 5.900.000 referências.



SPELL



SPELL – Scientific Periodicals Electronic Library, é um sistema de indexação, pesquisa e disponibilização gratuita da produção científica. Com o objetivo central de promover o acesso, organização, disseminação e análise da produção científica de distintas áreas do conhecimento, o Spell cumpre com uma dupla missão: organizar, numa única base de dados, um significativo acervo de conhecimento e proporcionar acesso livre a usuários interessados na produção científica. Iniciado em 2012, o Spell concentra, inicialmente, a produção científica das áreas de Administração, Contabilidade e Turismo, publicadas a partir de 2008. Possui atualmente cerca de 51.000 documentos.


DOAJ






O DOAJ - Directory of Open Access Journals, é um diretório online que fornece acesso aberto a mais de 14.400 periódicos e mais 4.800.000 artigos de 133 países diferentes, de várias editoras, como pode ser conferido abaixo.


O Blog possui integrado uma barra de pesquisa do DOAJ na lateral direita.


TESES E DISSERTAÇÕES



Biblioteca Digital de Teses e Dissertações




A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações  (BDTD) tem por objetivo reunir, em um só portal de busca, as teses e dissertações defendidas em todo o País e por brasileiros no exterior.


A BDTD foi concebida e é mantida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) no âmbito do Programa da Biblioteca Digital Brasileira (BDB), com apoio da Financiadora de Estudos e Pesquisas (FINEP), tendo o seu lançamento oficial no final do ano de 2002. Possui hoje mais de 170.000 teses e 459.000 dissertações de mais de 115 Instituições.


Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD)



Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD) é uma organização internacional dedicada a promover a adoção, criação, utilização, difusão e preservação de teses e dissertações eletrônicas (ETDs). Apoia a edição eletrônica e acesso aberto a fim de melhorar a partilha de conhecimento em todo o mundo. O site inclui recursos para administradores universitários, bibliotecários, professores, estudantes e público em geral. Os tópicos incluem como encontrar, criar e preservar ETDs; como configurar um programa ETD; questões jurídicas e técnicas; e as últimas notícias e pesquisa na comunidade ETD. Possui mais de 5.900.000 teses e dissertações.


E-BOOKS



SciELO Livros




A Scielo Livros disponibiliza e-books acadêmicos em português, atualmente contando com 779 títulos de acesso aberto das editoras FIOCRUZ, EDUFBA, UNESP, EDUEPB, EdUFSCar, EDUEM, Mackenzie, EDUERJ, UEPG, EDITUS, Editorial UR, UFRGS, UFABC, UNICAMP,  UGMG, UAO, EDUFU, UFFS e UNB em várias áreas do conhecimento. Os livros são legíveis também nos leitores de e-books, tablets e smartphones.


Cultura Acadêmica




Cultura Acadêmica  é o segundo selo da Fundação Editora da UNESP e possui centenas de títulos atualmente para download, entre gratuitos, pagos ou impressos sob demanda, que poderão ser baixados em formato PDF ou Epub.

Portal do Livro Aberto em CT&I







O Portal do Livro Aberto em CT&I tem por objetivo reunir, divulgar e preservar as publicações oficiais em ciência, tecnologia e inovação. Os temas Tecnologias da Informação e Comunicação, Fármacos e Complexo Industrial da Saúde, Petróleo e Gás, Complexo Industrial da Defesa, Aeroespacial, Nuclear, Biotecnologia, Nanotecnologia, Energia Renovável, Biodiversidade, Mudanças Climáticas, Oceanos e Zonas Costeiras Popularização da C,T&I, Melhoria e Ensino de Ciências, Inclusão Produtiva e Social, e Tecnologias para Cidades Sustentáveis, definidas nos Programas e Atividades Estruturantes da Estratégia Nacional da Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e incluídos neste primeiro momento. Adiciona-se a área de Ciência da Informação, que reúne o saber e o fazer do IBICT. 


Numa segunda fase serão incluídas publicações oficiais em temas tratados em políticas de ciência e tecnologia de períodos anteriores, bem como os tratados nas demais políticas públicas que tenham interface com a Ciência e Tecnologia em geral.




Directory of Open Access Books (DOAB)






O Directory of Open Access Books (DOAB) tem como objetivo principal aumentar a descoberta de livros de acesso aberto. As editoras acadêmicas são convidadas a fornecer metadados de seus livros de acesso aberto a Doab. Agregadores de conteúdo podem integrar os registros em seus serviços comerciais e bibliotecas podem integrar o diretório em seus catálogos on-line, ajudando acadêmicos e estudantes em descobrir os livros. O diretório é aberto a todos os editores que publicam livros revisados por pares acadêmicos, no Open Access e deve conter tantos livros quanto possível, desde que estas publicações estão em Open Access e atender aos padrões acadêmicos. Possui atualmente mais de 27.900 títulos de 380 editoras. 




COLEÇÕES ESPECIAIS 


O Portal das Memórias de África e do Oriente



A biblioteca digital da Universidade de Aveiro já permite ler através da internet obras digitalizadas de Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor.



O Portal das Memórias de África e do Oriente é um projeto da Fundação Portugal-África desenvolvido e mantido pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento desde 1997. É um instrumento fundamental e pioneiro na tentativa de potenciar a memória histórica dos laços que unem Portugal e a Lusofonia, sendo deste modo uma ponte com o nosso passado comum na construção de uma identidade coletiva aos povos de todos esses países.


O projeto “Memória de África e do Oriente“ já tem online mais de 2500 obras, referentes à história dos países de Língua Portuguesa, durante a administração colonial. O projeto é executado pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CESA) de Lisboa e tem contado com a participação de instituições de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Goa.



Além de registos bibliográficos para orientação de investigadores e curiosos, estão agora disponíveis e com livre acesso obras digitalizadas que vão desde livros da escola primária do tempo colonial, a relatórios de antigos governadores das então colônias e outros documentos oficiais. Entre outras “preciosidades” já digitalizadas contam-se os três volumes da “História Geral de Cabo Verde”, várias obras do cientista e poeta cabo-verdiano João Vário, toda a coleção do Boletim Geral das Colônias, a revista do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa de Bissau Soronda (1986-2009), o Boletim Cultural do Huambo em Angola, e “O Oriente Português”, da responsabilidade da Comissão de Arqueologia da Índia Portuguesa, publicado entre 1905 e 1920 e retomado entre 1931 e 1940.


De acordo com Carlos Sangreman, da Universidade de Aveiro, o projeto “Memória de África e do Oriente” em dezembro atingiu 353.991 registos bibliográficos e 343.819 páginas digitalizadas e a base de dados já vai ser acrescentada. “Temos trabalhado com muitas instituições portuguesas, sendo a última a Biblioteca Nacional que nos disponibilizou 67 mil registos que irão ser colocados na base à medida que formos conseguindo compatibilizar o formato”, esclarece aquele responsável.




SLAVE VOYAGES 


O tráfico transatlântico de escravos, detalhado em um mega-arquivo digital.


O site traz mapas, imagens, nomes de escravos, viagens documentadas e outros materiais que dão a dimensão da maior migração forçada da história.


    Ilustração de 1820 do Cais Valongo, o porto que recebeu mais escravos nas Américas         e  maior mercado de  escravos do Rio de Janeiro. Foto: Do livro 'Journal of a voyage to       Brazil and residence there',de Maria Graham.





Mais de 10 milhões de africanos foram traficados para as Américas entre os séculos 16 e 19, naquela que é a maior migração oceânica forçada na história. O detalhamento dessa tragédia humana pode ser pesquisado no site “Slave Voyages”, uma base de dados digital sobre o tema, disponível em inglês e português, fruto de um esforço internacional de pesquisa que se estende ao longo de décadas, desde o final da década de 1960.


A ideia de criar um conjunto de dados único, oriundos de múltiplas fontes, referentes a viagens negreiras transatlânticas, surgiu ainda nos anos 1990 entre os pesquisadores David Eltis, britânico, e Stephen Behrendt, americano. A construção do site, no entanto, só foi possível a partir de um prêmio concedido à pesquisa em 2006, pela Universidade de Emory, nos EUA.


O que há no site


Compilação de arquivos ao redor do mundo, a base de dados do site contém registros de mais de 35 mil expedições. A metodologia e fontes usadas estão detalhadas em uma seção que ajuda a entender e começar a usar o banco.


Além de consultá-lo e encontrar viagens específicas, é possível fazer o download dos dados encontrados e criar listas, tabelas, e mapas personalizados. Na aba “colabore”, também se pode colaborar com suas descobertas e corrigir eventuais erros nos dados.


Nem todas as expedições de escravos do período foram documentadas. Segundo o site, os escravos vindos em viagens documentadas representam quatro-quintos do número de africanos transportados. Tendo isso em mente, uma página interativa de estimativas ajuda quem pesquisa a chegar mais perto do volume total do tráfico de escravos.


O material ainda conta com materiais educativos, como planos de aula, ensaios (todos traduzidos para o português) que analisam as viagens, a escravidão e o fim do tráfico; e “mapas introdutórios” que mostram, por exemplo, o volume e a direção do tráfico de escravos, de todas as regiões africanas para todas as regiões americanas, e as principais regiões e portos envolvidos no tráfico.


Há um banco de imagens com manuscritos, mapas antigos e ilustrações de escravos, navios e lugares. E um banco de nomes que identifica 91.491 africanos cativos em uma ficha que inclui o nome, a idade, o sexo, a origem, o país e os locais de embarque e desembarque de cada um.


Compilar dados sobre o tráfico de escravos não é novidade. O trunfo do projeto, destacado pelo site “The Conversation” é a apresentação desses dados de maneira compreensível e visualizável para um público amplo, que inclui pesquisadores e professores, mas também estudantes e outros interessados.


Uma representação animada do tráfico de escravos da África para as Américas no período, presente em um artigo da revista “Slate”, demonstra o fluxo do tráfico ao longo do tempo.


O Brasil escravocrata no arquivo


“A roda sul moldou o enorme tráfico para o Brasil, que durante três séculos foi quase exclusivo dos maiores traficantes de escravos de todos, os portugueses. Apesar de arvorarem a bandeira portuguesa, os traficantes de escravos que navegavam pela roda sul administravam seus negócios em portos brasileiros, e não em Portugal. Os ventos e as correntes asseguraram, portanto, duas grandes rotas de escravos — a primeira com raízes na Europa, e a segunda no Brasil. Os ventos e as correntes também determinaram que os africanos transportados para o Brasil viessem predominantemente de Angola”


David Eltis (Emory University), 2007
No ensaio “Um breve resumo do tráfico transatlântico de escravos”


Na seção de estimativas do volume total de expedições realizadas, há duas datas chave para o tráfico de escravos mundial do período que dizem respeito ao Brasil. São elas:


- 1560: início do tráfico de escravos contínuo do Brasil
- 1850: abolição do tráfico de escravos no Brasil (mas não, ainda, da escravidão)


Nesse período, a estimativa do site é de que o volume total de escravos desembarcados somente no Brasil tenha sido superior a 5 milhões.


O fim do tráfico


Mesmo tornado ilegal nos primeiros anos do século 19 pelos governos americano e britânico, que começaram a reprimir a prática em território marítimo, o tráfico de escravos para o Brasil continuaria ainda por meio século, dada sua enorme importância econômica para os traficantes portugueses e para a produção monocultora das colônias americanas, principalmente para a cana-de-açúcar e a mineração no Brasil. 


Ações decisivas contra o tráfico vindas das regiões importadoras, segundo o ensaio que trata da abolição presente no site, só ocorreram em meados dos anos 1840 e em 1851. Foi quando os governos de Cuba e do Brasil, respectivamente, tomaram medidas contra o tráfico. Entre as décadas de 1840 e 1850, o tráfico caiu de uma média de 50.000 por ano para 16.000, e, a partir de 1860, para a metade disso.


A nível mundial, a escravidão teve fim nas últimas décadas do século 19. No Brasil, a Lei Áurea, que aboliu a escravidão, data de 1888.



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