quarta-feira, 4 de julho de 2018

Quem vai ser dono do varejo no Brasil?




Autor: Hsia Hua Sheng (Professor de Finanças Aplicadas da FGV-EAESP e da UNIFESP-EPPEN)

Data 02/Julho/2018


Em meio dessa guerra comercial global, queda de bolsas de valores nos mercados emergentes, crise no mercado de dívidas e onda desvalorização dos principais moedas de mercado emergentes, as empresas estão se organizando para focar no mercado interno, reestruturando segmentos de vendas e reorganizando parceiros comercias.


No Brasil, esse movimento já começou. A BRF anunciou que está focando nosso mercado interno na semana passada. A empresa vai desfazer seus investimentos na Argentina, Europa e Tailandia para pagar suas dívidas e só vai concentrar trading com seus principais parceiros no mercado asiático e mulçumano. Essa medida vai beneficiar a BRF trazendo mais foco na rentabilidade e maior giro, e menos alavancagem financeira e menos exposição a Guerra comercial.


Na semana passada, a B3 (Somos Brasil. Somos Bolsa. Somos Balcão.) começou a estudar o que pode ser feito para incentivar as aberturas de capital de empresas de tecnologias no Brasil. A guerra global estendeu claramente para o campo de alta tecnologia com a proibição de investimento chinês para o setor de tecnologia americana. Essa proibição pode favorecer criação dos novos centros de pesquisas de tecnologias em outros países no mundo. Os investidores desses “Start-ups” vão precisar de outros mercados de capitais para fazer seus IPOs, principalmente nos mercados onde suas aplicações tecnológicas são usadas.


Esse movimento de reorganização também está acontecendo no próprio Estados Unidos. Na última semana, a gigante Amazon anunciou que vai comprar o grupo online de farmácias PillPack que atua no setor de saúde nos Estados Unidos. Essa empresa é especialista em vender e entregar remédio online em quase todos estados americanos, e avisa e acompanha paciente o uso de remédio via APP. Essa entrada da Amazon promoverá mais fusões e aquisições nesse setor. Com esse anúnicio, as principais empresas desse setor sofreram perdas expressivas no dia, Walgreens Boots Alliance Inc (Ela acabou de substituir GE no Índice de Dow Jones) caiu 6,56%, Outra rede de farmácia CVS Health também caiu 4,27% no dia. 


Portanto, essa briga por mercado interno também pode marcar uma onda de fusões e aquisições no Brasil. Quem vai comprar quem nos setores de varejos de alimentos, remédios e vestuários do Brasil? Empresas de E-Comerce ou de Lojas físicas ou de commodities? Ou os novos players: Empresas do Sistemas de Pagamentos ou Fintechs...


Para citação desse artigo: SHENG, H.H. “Quem vai ser dono do varejo no Brasil?”(Núcleo de Estudos de International Financial Management, FGV-EAESP), No. 34, 02/07/2018, São Paulo.


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FONTE: LinkdIn


Publicado com autorização do autor.

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